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Plano de prevenção de tombamento em caminhões basculantes

Confira como criar um plano pratico de prevenção de tombamento em caminhões basculantes.

O que mais causa tombamento em caminhões basculantes durante o basculamento?

Em campo, as causas se agrupam em três blocos:

  1. Ambiente e solo
    Desnível lateral sutil, recalque, solo fofo, lama, material acumulado sob pneus, vento lateral e baixa visibilidade.
  2. Máquina e manutenção
    Falhas hidráulicas, pneus inadequados/pressão incorreta, suspensão comprometida, travamentos, folgas e alterações no centro de gravidade.
  3. Processo e fator humano
    Basculamento “com pressa”, descarga em área não preparada, comunicação falha, ausência de “autoridade de parada” e desvio de procedimento.

O PPT existe para reduzir a probabilidade desses três blocos ocorrerem ao mesmo tempo.

A imagem exibe todos os indicadores para prevenção de tombamento em caminhões basculantes.
Caminhão basculante em basculamento com indicação de inclinação lateral e foco em prevenção de tombamento

Quando usar, quando é obrigatório e qual norma exige

Quando usar o PPT na prática

Use o Plano de Prevenção de Tombamento sempre que houver:

  • Basculamento em solo não preparado (ou com histórico de recalque);
  • Operação em mina/obra com tráfego interno intenso (cruzamentos, rampas, frentes ativas);
  • Trabalho noturno ou em áreas com visibilidade crítica;
  • Presença de vento lateral, chuva, lama, ou qualquer condição que altere aderência e estabilidade.

Quando é obrigatório (como tratar corretamente)

1) Circulação em via pública e condições equiparáveis (CONTRAN):
A Resolução CONTRAN nº 859/2021 dispõe sobre sistema de segurança para circulação de caminhões com carroceria basculante e caminhões-tratores voltados a operação com basculante, e define (via referência normativa) dispositivos de segurança primário e secundário, além de prever itens como aviso de segurança e condições de funcionamento.
A Resolução CONTRAN nº 1007/2024 altera pontos da 859/2021 e estabelece, por exemplo, a exigência do CSV no momento do licenciamento de 2027 (respeitadas as regras de transição).

2) Mineração (NR-22):
A NR-22 atualizada traz diretrizes para circulação e segurança na mineração; em operações de basculamento/descarregamento, há exigências sobre iluminação nas frentes e suspensão de trabalhos/tráfego quando não há visibilidade, mesmo com iluminação artificial.

Quais normas exigem

  • CONTRAN 859/2021 e CONTRAN 1007/2024 (circulação e requisitos de sistema de segurança; prazos e CSV).
  • NR-22 (mineração), incluindo regras de visibilidade e frentes de basculamento/descarregamento.
  • ISO 20474-6 (segurança para dumpers de terraplenagem; útil como referência técnica de princípios, observando que o escopo não cobre “road-truck-mounted dumpers”).

O que acontece se não usar e os impactos operacionais

Sem um plano, a organização perde controle sobre:

  • Risco de evento grave (lesões, fatalidade, dano ambiental e patrimonial);
  • Interdições e paralisações por investigação e correções emergenciais;
  • Exposição jurídica e securitária, além de inconsistências de compliance (especialmente quando há exigências formais aplicáveis).

Mapa de risco: 3 cenários de tombamento que o PPT precisa cobrir

1) Tombamento no basculamento parado (o “clássico”)

Como acontece: a caçamba eleva, o centro de gravidade sobe e a base “perde margem” por desnível ou recalque.
Gatilhos típicos:

  • Desnível lateral “quase invisível”;
  • Solo fofo/umidade;
  • Material acumulado sob um lado do veículo;
  • Descarga em área sem compactação.
Infográfico de estabilidade e gatilhos de parada no basculamento de caminhão basculante

2) Tombamento em deslocamento com caçamba levantada (risco crítico)

É o cenário de maior potencial catastrófico, porque combina:

  • Instabilidade elevada + velocidade/forças laterais + surpresa (curvas, buracos, frenagem).

No PPT, este cenário deve ter tolerância zero e travas procedimentais claras.

3) Tombamento em mina/obra por tráfego e visibilidade (efeito dominó)

Mesmo quando o basculamento “em si” está sob controle, o entorno pode não estar: Cruzamentos, vias estreitas, poeira, chuva, operação noturna.
Na NR-22, frentes de basculamento/descarregamento devem ter iluminação suficiente, e se a visibilidade for impedida por condições atmosféricas, trabalhos e tráfego devem ser suspensos.

Frente de basculamento com iluminação e área isolada para operação segura
“Frente de basculamento com iluminação e área isolada para operação segura”.

Como montar um Plano de Prevenção de Tombamento em caminhões basculantes (PPT) em 6 etapas

A diferença entre “ter regra” e “ter plano” é simples: plano é executável e aditável. Abaixo, um modelo mínimo que funciona.

Etapa 1 — Inventário de cenários e “gatilhos de parada”

Crie uma tabela com:

  • Cenário (ex.: basculamento em área de bota-fora, noite, chuva);
  • Sinais de alerta (ex.: recalque, desnível, visibilidade crítica);
  • Ação mandatória (ex.: parar, reposicionar, compactar, sinalizar);
  • Responsável (operador, líder de turno, manutenção, segurança).

Resultado esperado: qualquer operador consegue responder:
Se X acontecer, eu paro.

Etapa 2 — Plano de trânsito e segregação de áreas (obra/mina)

Sem controle do fluxo, o risco do basculamento “vaza” para o canteiro inteiro. Em mineração, a NR-22 estabelece diretrizes de circulação e reforça controles de operação e visibilidade.

No seu plano (obra ou mina), defina:

  • Vias principais e secundárias;
  • Áreas de basculamento/descarregamento e exclusão de pessoas;
  • Pontos de cruzamento e preferência;
  • Velocidades máximas por trecho e condição;
  • Comunicação (rádio, sinalização, spotter quando aplicável).

Link interno sugerido (satélite): “Plano de trânsito em mina/obra: como reduzir risco de colisão e tombamento”.

Etapa 3 — POP de basculamento (Procedimento Operacional não Padrão)

Evite POPs longos que ninguém usa. O que funciona:

  • 1 página, linguagem operacional;
  • Uma seção “NÃO OPERE SE” com 8–12 itens (incluindo visibilidade e terreno);
  • Um campo de confirmação rápida (check verbal + registro quando aplicável).

Em mineração, a regra de suspender tráfego e trabalhos quando não houver visibilidade precisa virar um gatilho explícito no POP.

Quadro visual de condições proibitivas para basculamento seguro

Etapa 4 — Manutenção crítica

A estabilidade depende também de integridade mecânica. No PPT, estabeleça uma rotina mínima para:

  • Sistema hidráulico (vazamentos, pressão, atuação);
  • Pneus (pressão, desgaste, compatibilidade com solo);
  • Suspensão e articulações;
  • Estrutura da carroceria e travamentos;
  • Alarmes e sinalizadores.

Observação de conformidade (via pública): as resoluções do CONTRAN tratam do sistema de segurança para circulação e referenciam a lógica de dispositivos ligados à tomada de força e operação do basculante, com impactos diretos sobre integridade e prevenção de uso indevido.

Etapa 5 — Treinamento com autoridade de parada

Treinamento efetivo não é só “como fazer”, é “quando parar”. O PPT precisa formalizar:

  • Qualquer operador pode interromper a operação se gatilho ocorrer;
  • Interrupção não é punida;
  • Liderança é medida por qualidade da decisão, não por “velocidade da descarga”.

Métrica útil: número de “paradas corretas” (sinal de cultura forte).

Etapa 6 — Monitoramento e auditoria

Sem auditoria, o PPT vira papel. Indicadores práticos:

  • % de basculamentos em área validada (solo/compactação);
  • Nº de gatilhos acionados e corrigidos (paradas corretas);
  • Nº de quase-acidentes por cenário (chuva, noite, frente X);
  • Aderência ao POP (amostragem por turno);
  • Eventos de operação indevida (ex.: tentativa de deslocamento com caçamba elevada).

Tecnologia como camadas (procedimento + engenharia + monitoramento)

Tecnologia não substitui o plano. Ela reduz erro humano e variabilidade, principalmente quando adiciona alerta, registro e intertravamento.

Camada 1 — Segurança exigida para circulação (CONTRAN)

A Resolução CONTRAN 859/2021 dispõe sobre sistema de segurança para circulação e define elementos e conceitos (incluindo referência a norma técnica ABNT para definições de dispositivos). A 1007/2024 altera prazos e requisitos (incluindo CSV no licenciamento de 2027).

Como usar no PPT:

  • Transforme as exigências em itens de verificação documental e funcional;
  • Registre evidência (inspeções e conformidade).

Camada 2 — Monitoramento operacional (inclinação + alertas + eventos)

Aqui entra o monitoramento de inclinação como camada para prevenção de tombamento em caminhões basculantes de tom e rastreabilidade:

  • Alertas em limiares operacionais;
  • Registro de eventos (quase-acidentes);
  • Suporte a treinamento (feedback objetivo).

Camada 3 — Automação preventiva

A forma mais robusta de reduzir erro operacional é impedir sequências inseguras:

  • Ex.: lógica de bloqueio para evitar condição crítica durante operação (definida por engenharia de risco);
  • Alarmes sonoros/visuais em condição proibitiva;
  • Integração com rotina do PPT (gatilhos + evidências).
Infográfico de camadas de prevenção de tombamento em caminhões basculantes

Exemplo real de operação (o que muda quando o PPT existe)

Cenário: bota-fora com solo aparentemente nivelado. Em dias anteriores houve recalque, e na borda existe um desnível lateral discreto.

Antes do PPT:

  • Operador posiciona, inicia basculamento; percebe inclinação tarde; corrige “na mão” com caçamba em elevação; risco aumenta.

Depois do PPT (mudanças simples):

  1. A área é classificada como “basculamento permitido” somente após verificação (solo/compactação).
  2. POP define “NÃO OPERE SE”: desnível lateral visível, recalque, chuva recente sem validação do solo.
  3. Se o gatilho ocorrer, o operador tem autoridade de parada e aciona líder de turno.
  4. A correção (compactação/reposicionamento/sinalização) vira evidência registrada.
  5. Quase-acidente vira evento de aprendizado, não “história que se perde”.

Resultado esperado: menos variabilidade, mais previsibilidade e redução de incidentes.

Checklist técnico final

Use como “última linha” antes de bascular:

  1. ✅ Área de basculamento validada (solo firme/compactado, sem recalque).
  2. ✅ Sem desnível lateral perceptível (se houver, pare e reposicione).
  3. ✅ Área isolada, sem pessoas no entorno.
  4. ✅ Visibilidade adequada; em baixa visibilidade, suspenda a operação (especialmente em frentes de basculamento).
  5. ✅ Pneus e suspensão ok (pressão e integridade).
  6. ✅ Sem vazamentos/ruídos anormais no sistema hidráulico.
  7. ✅ Comunicação confirmada (rádio/sinalização/spotter quando aplicável).
  8. ✅ Caçamba sobe de forma uniforme; qualquer assimetria = pare.
  9. ✅ Proibido deslocamento com caçamba elevada (tolerância zero no PPT).
  10. Respeito a regras de circulação internas e plano de trânsito (obra/mina).
  11. ✅ Registro de gatilhos e paradas corretas (auditoria).
  12. ✅ Tecnologia (alertas/intertravamentos) ativa quando prevista no seu PPT.

Para garantir a execução correta no campo, o plano precisa ser traduzido em ações simples e verificáveis.
Por isso, recomendamos o uso do Checklist completo de basculamento seguro, que organiza as verificações críticas, os gatilhos de parada e os registros operacionais.
Esse material aprofunda a aplicação prática do PPT e reduz variações entre operadores e turnos.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que a Resolução CONTRAN 859/2021 exige, na essência?

Ela dispõe sobre sistema de segurança para circulação de caminhões com carroceria basculante, define conceitos e requisitos associados à operação segura e referencia definições normativas (ABNT) para dispositivos de segurança.

O que mudou com a Resolução CONTRAN 1007/2024?

A 1007/2024 altera a 859/2021 e traz ajustes, incluindo a referência de exigência do CSV no licenciamento de 2027 (com regra de transição).

Em mineração, quando devo suspender o basculamento por visibilidade?

A NR-22 reforça que frentes de basculamento/descarregamento devem ter iluminação suficiente e que, se condições atmosféricas impedirem visibilidade mesmo com iluminação artificial, trabalhos e tráfego devem ser suspensos.

Tecnologia substitui procedimento e área preparada?

Não. Tecnologia é camada de controle; o “fundamento” continua sendo: área validada + POP curto + decisão de parada + auditoria.


A Mestria atua com soluções de segurança e automação para operações com máquinas pesadas, apoiando empresas a reduzir risco crítico, padronizar procedimentos e aumentar rastreabilidade operacional por meio de tecnologia embarcada e integração com rotinas de campo.

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